O que precisa ser resgatado do que ficou pra trás

Tenho uma piada interna com alguns amigos, a respeito da seleção pra oficina de escrita criativa que terminei no ano passado. A questão pedia que os candidatos falassem sobre sua personagem ideal. Eu, num ato de rebeldia involuntária, dei um duplo twist carpado com as palavras e acabei por escrever quase três páginas sobre o narrador, meu elemento favorito na lista de itens necessários para se contar uma história.

Quando surgiu o desafio do Meme de Janeiro do Luluzinha, grupo do qual me orgulho muito em participar, sobre as coisas que deixamos para trás em 2012 e atrás das quais precisaríamos correr em 2013, meu cérebro começou a redigir o texto para o tema: coisas que ficaram em 2012 e que não vão me fazer falta em 2013. Mas estou decidida a falar exatamente sobre o tema, e talvez por isso tenha demorado tanto para escrever este post (o desafio é semanal e hoje é o último dia pra publicar o primeiro).

praia
É difícil, pra mim, falar sobre isso. Foram tantas as coisas que ficaram em 2012 que já perdi a conta, já parei de listar, algumas eu nem lembro mais. A maioria das coisas (e quando eu digo coisas, incluo pessoas, atitudes, hábitos) estavam sobrando mesmo, e eu estava tão perdida na minha própria vida que nem percebia. Que horror pensar isso, mas acontece: é tanta onda que vem quebrar na sua cabeça, e é tão grande o esforço de pular pra fora da água e respirar, que você nem percebe o quão distante está da praia, e quão fundo é o buraco em que caiu. A recompensa é que você acaba por perceber o valor de tudo, a importância real das coisas, e quando chega na praia, sã e salva, nem sente falta de tudo que perdeu. A recompensa é ter a certeza do que você quer, e para onde precisa ir.
O que ficou pra trás e que eu ainda preciso resolver neste ano é a minha saúde. Sim, estou bem, os exames estão ótimos, mas eu ainda preciso ouvir do médico (da junta médica, melhor dizendo, hahaha) que está tudo ok, que estou liberada de tantos remédios, e que não preciso mais me preocupar. (Se alguém quer mais detalhes, me convida pra um café e eu conto tudo.)
O que também ficou pra trás e que preciso resolver é minha vida profissional. Como eu vejo a situação hoje: eu tenho duas escolhas, muito claras. Uma é mudar radicalmente quem eu sou para me encaixar nessa instituição gigantesca e opressora, e me acomodar. Outra é seguir o caminho com mais obstáculos, mas onde posso fazer o que gosto, apesar da instabilidade, das indecisões. (uma observação: a instituição gigantesca da qual falo é opressora pra mim, pros valores que tenho, para os ideais em que acredito. Ela funciona muito bem pra muita gente, e fosse eu alguém mais cordata certamente seria bem feliz trabalhando lá, fazendo o que eu fazia. É que não funciona para mim, para o plano que tenho.)
Existem ainda várias outras coisas: eu poderia ser mais disciplinada, menos distraída, mais organizada, menos dispersa. Mas tem duas coisas, das quais eu sempre trouxe comigo, ano após ano, e que me dão a certeza de que vai ficar tudo bem: que é flexibilidade e resiliência, então aos poucos essas outras coisas se resolvem.
O mais importante é saber que, ao chegar à praia de 2013, encontrei só o essencial, o que vale a pena, para seguir em frente. Ou, voltando aos elementos necessários para contar uma história, posso dizer que encontrei os personagens que merecem continuar na história, no tempo e no espaço certos. E já que o enredo nem sempre pode ser alterado ou controlado, eu fico com o papel de narrador-protagonista, que é, sem dúvida, o meu favorito.
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Feliz 2013!
Este post faz parte do Meme de Janeiro, uma iniciativa das interneteiras do LuluzinhaCamp, que tem como única intenção, a diversão. Porque somos blogueiras e adoramos blogar, simples assim. Se você tem blog, corre para participar, clique aqui e saiba mais.
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3 thoughts on “O que precisa ser resgatado do que ficou pra trás

  1. Pingback: 2012 – 2013: registros da mulherada sobre a passagem

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